🕰 Aconteceu em 1976
'2112': a distopia do Rush que rendeu crédito nos vinis a Ayn Rand
Em 1976, o trio canadense Rush apostou alto numa música de mais de 20 minutos que ocupava um lado inteiro do vinil: 2112, uma distopia futurista sobre um homem que redescobre a música — e uma velha guitarra — num mundo controlado por sacerdotes. O roteiro saiu da cabeça do baterista e letrista Neil Peart, que se inspirou na novela Anthem, de 1938, da escritora Ayn Rand.
A semelhança com a história de Rand era tão grande que Peart incluiu no encarte um crédito à “genialidade de Ayn Rand”. A homenagem rendeu confusão: parte da crítica britânica acusou a banda de flertar com ideias de direita, o que o baixista e vocalista Geddy Lee rebateu, definindo a mensagem como justamente anti-totalitária.
Ironia boa: a aposta “arriscada” de encarar uma música gigante e conceitual, num momento em que a gravadora pressionava por hits, não afundou o Rush — pelo contrário, 2112 virou o disco que salvou a carreira da banda e um marco do rock progressivo.