🕰 4 de dezembro de 1971
O incêndio que virou riff: como nasceu 'Smoke on the Water'
Poucos riffs no mundo são tão reconhecíveis quanto o de “Smoke on the Water”. O que nem todo mundo sabe é que ele nasceu de um desastre real — e que o Deep Purple estava ali só de espectador.
Era 4 de dezembro de 1971, em Montreux, na Suíça, às margens do Lago Genebra. No palco do cassino da cidade tocavam Frank Zappa e os Mothers of Invention. Durante o solo de sintetizador de Don Preston em “King Kong”, alguém na plateia disparou um sinalizador em direção ao teto — feito de vime. O fogo pegou na hora e, em pouco tempo, o cassino inteiro estava em chamas. O público conseguiu escapar, mas o prédio foi destruído.
Do outro lado da história estava o Deep Purple. A banda tinha ido justamente a Montreux para gravar o álbum “Machine Head” dentro daquele cassino, usando o estúdio móvel dos Rolling Stones. Com o local reduzido a cinzas, o plano foi por água abaixo — e os músicos passaram a assistir, de longe, à fumaça se espalhando sobre o lago. Foi essa imagem, a “fumaça sobre a água”, que batizaria a música.
Sem o cassino, a banda se virou: acabou gravando o disco num hotel esvaziado da cidade. E transformou o próprio perrengue em canção — o riff que Ritchie Blackmore tirou dali viraria um dos mais tocados e ensinados da história do rock.
Moral: às vezes, o maior clássico de uma banda começa com o show de outra pegando fogo.